terça-feira, 3 de janeiro de 2012


Hodiernamente a palavra cristão tornou-se um simulacro do seu significado original!
Existem palavras com mais de um sentido, tal como a palavra manga, só que elas denominam coisas totalmente diferentes; não é o que acontece com os vários sentidos atribuídos a palavra, cristão; pois todas elas se referem aos seguidores de Cristo (sei que existem aqueles que se dizem cristãos, e na verdade nem se preocupam com o Cristo, mas uso o termo cristão aqui, como aquele que segue a doutrina deste). O estranho é que, os seguidores chegam a ser demasiadamente ambíguos; dizendo uns que “é condição básica para ser ‘cristão salvo’, ser rico”, e outros dizendo que “não devemos ser apegados ao dinheiro”.
Se for cristão comporta os dois modelos de vida, concluo que uma das interpretações deve necessariamente estar errada ou Cristo foi incoerente, e deu margem para as duas interpretações; o que seria muito distante do que lemos na Bíblia, onde vemos São Paulo dizendo: “Ainda que desça um anjo do Céu e pregue outro evangelho, a não ser este que tenho vos anunciado, que seja considerado anátema.” O que induz a crer que o Evangelho não defende todas as doutrinas, dizendo, como muitos hoje dizem, que todas as religiões levam a Deus.
Todas as incoerências não nos levam a deduzir que o cristianismo é falso, mas sim, que é impossível que todas as interpretações do Evangelho sejam verdadeiras.
Isto me faz pensar que, ainda que seja falso tudo o que Cristo pregou (acredito que não), ainda sim ele só pregou uma coisa, um só caminho; portanto só há uma verdade, no que diz respeito ao que Cristo disse. Havendo uma só verdade.
Poderíamos dizer que a verdadeira igreja é aquela que segue a Bíblia, mas todas elas dizem seguir a Bíblia, neste ponto encontraríamos outro problema a ser resolvido, qual é a interpretação verdadeira.
Em relação à interpretação podemos dizer que a mais correta é a mais antiga, pois quanto mais próximo do autor (se bem que Cristo não escreveu nada, e sim os seus apóstolos) maior a possibilidade de acerto.
Só existe uma igreja que vai até o tempo de Jesus, a Igreja Católica, aceitando como verdadeira a tese de que a interpretação mais antiga tem mais chances de estar de acordo com o pensamento original, está é a verdadeira.
Lembrando que não se discute aqui o tema da verdade, em termos gerais, e sim a verdade em relação a interpretação dos evangelhos, do que é ser cristão; sendo assim, não estou dizendo que a Igreja é dona da verdade por ser antiga – até mesmo porque existem religiões mais antigas do que o cristianismo – e sim que, em relação as interpretações que se fazem dos textos bíblicos, ela tem maior legitimidade.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Comentário ao Super Homem.

O super-homem de Nietzsche não é um ser perfeito, pelo contrário, é aquele que aceita suas imperfeições e reconhece nós instintos naturais do homem a virtude. Ele não busca uma vida ultraterrena, e nem pauta os seus valores nesta vida além-túmulo, tanto porque nela nem acredita; mas pauta seus valores e dirige sua vida para um bem estar na vida terrestre, mesmo que para isto, tenha que contrariar valores comumente aceitos.
O cristão tem os seus valores pautados em algo que considera maior, advindo de um ser infinitamente superior a ele. Pois acredita que toda a beleza do universo não pode ter surgido do acaso. Como o ideal nietzschiano ele tem que ir contra a corrente, pois quando todos gritam: “olho por olho, dente por dente”; é dito ao cristão: “orai por aqueles que vos perseguem, e não ameis somente aquele  que vos ama, mas também aquele que lhe punge, lhe fere.”
Nietzsche via no sofrimento uma oportunidade de fortalecimento; o cristão vê no sofrimento uma maneira de purificar a sua alma.
Portanto amados não tenham os seus valores fundamentados numa tradição, simplesmente por ser esta antiga. Veja seus fundamentos, escrutinem seus desígnios, e tente através do presente que Deus lhe deu, o raciocínio, descobrir qual o caminho verdadeiro.